sexta-feira, 18 de junho de 2010


"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos, façamos tudo para não viver inteiramente como animais."- J. Saramago
"De Deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas."- J. Saramago

R.I.P.

Por um segundo


Caminho entre a multidão.
Sozinha. Comigo.
Atravesso a escuridão
Por um segundo contigo.

Percorro cada rua, cada prédio.
Vou atenta, em sentinela.
Olho cada porta, cada janela
querendo matar este tédio.

Avisto-te além.
Os segundos até te alcançar
sabem-me tão bem.

Estou contigo, enfim.
Olho-te,
Tenho-te ao pé de mim.

O que quero só Deus sabe,
Que este segundo nunca acabe.


P.A.




quarta-feira, 16 de junho de 2010

Adormecer


Às voltas na cama,
Há uma voz que me chama.
Esta voz ensurdecedora,
Da minha mente absorvedora,
Não me deixa em paz.

Tento dormir,
Deixar de a ouvir,
Mas quando anoitece
E isto acontece,
O que se faz?

Aconchego-me e penso em ti.
Não ajuda.
Nada muda.
"Vou esquecer", prometi.
Mais valia ficar calada,
Pois não muda nada!

Concentro-me então no silêncio.
Não tenho nada a perder.

Eis que a voz silencio
E a paz vivencio
Para, enfim, adormecer.



P.A.

Abraço


Dão as mãos e olham-se.
Um olhar que ganha voz.
Sentem, vivem, eternizam-se,
Desfrutando estarem sós.

Acham o seu Norte.
Abraçam-se até à morte.

Num beijo lhe vê a alma.
No abraço lhe dá a calma.
Esta calma que é ouro
E o seu amor, um tesouro.

Permanecem abraçados,
De corações ancorados
Um ao outro.


P.A.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Memórias



Penso em ti,
No que senti,
No que perdi.
Memórias…


Lembro o teu olhar,
Os passeios à beira mar,
Esta banal forma de amar.
Memórias…


Talvez por ser banal acabou
Mas porque não se lutou?


O Povo diz que sim,
Que tudo tem um fim,
Mas esta saudade
Que a minha vida desgoverna
Não apaga a memória
Esta sim, eterna!



P.A.


A Vida

"A Vida é muito curta para ser pequena"

Benjamin Disraeli